domingo, 26 de outubro de 2008


Se olhar e não se reconhecer. Ela não tinha nem 20 anos completos e já experimentava aquela estranha sensação. De onde vinha o riso rasgado? Certamente, tinha a mesma origem daquelas respostas irônicas e do jeito decidido. Ela, que até então se perdia em suas dúvidas, via-se, agora, segura em perceber-se repleta de possibilidades. O medo da “única escolha” transformara-se em desejo de abraçar todas elas.
A ironia lhe servia como luvas. Embora fosse necessário conhecê-la para perceber, tal recurso perdia toda sua sagacidade quando acompanhado da doçura de seus gestos e da pureza que, sim, ainda existia em sua alma. A mudança parecia repentina. Ela ainda se assustava em perceber a ausência da timidez, sua antiga companheira, e já não mais gostava – e aceitava – quando ela insistia em dar as caras.
Por várias vezes fixava o olhar no espelho: a busca desesperada por elementos que pudessem lhe caracterizar aos poucos foi sendo substituída por uma curiosidade do que ainda estava por vir. Em quem ela se transformaria?
Perdida em tantas novidades, já não era possível distinguir características. Todas elas se misturavam e terminavam por compor quem ela era, foi e seria.
E olha que muito – quase tudo – ainda estava por vir.

3 comentários:

II Conferência de Artes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carol disse...

Pelo visto vou encontrar uma nova Luiza, com um novo jeito de encarar a vida, uma nova forma de se ver!!!
Te amo muito!
Bjs

Elga Arantes disse...

Oi Luiza!
Bom que aparece, pelo menos de vez em quando, rs.
Acho que a comunidade "bloguiense/blogueana" está com síndrome do espelho, reparou?
É bom fazer, ou ao menos tentar, fazer uma auto análise, às vezes, não é?
Também percebi que, com o tempo, minha timidez foi-se indo embora.
Beijos.