Mas ainda restavam as lembranças. O casal de velhinhos, o sorriso largo da criança e as flores eram recentes demais na memória dela, que agora, sentia-se unicamente ‘filha’. Não era hora para chorar demais, sofrer demais, sentir demais. O momento da separação era, sem dúvida, o momento do amor. E sem saber mensurar essa força maior (sim, é o amor a maior força), ela reconhecia-o como parceiro inseparável, que a ajudaria seguir em frente e mostrar para quem quer que fosse que família é encontro de almas. Muito além de todas essas limitações humanas.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Mais um dia,
Mas ainda restavam as lembranças. O casal de velhinhos, o sorriso largo da criança e as flores eram recentes demais na memória dela, que agora, sentia-se unicamente ‘filha’. Não era hora para chorar demais, sofrer demais, sentir demais. O momento da separação era, sem dúvida, o momento do amor. E sem saber mensurar essa força maior (sim, é o amor a maior força), ela reconhecia-o como parceiro inseparável, que a ajudaria seguir em frente e mostrar para quem quer que fosse que família é encontro de almas. Muito além de todas essas limitações humanas.
sábado, 7 de março de 2009
Muito mais que sonhar,
A praça era grande, mas foi possível reconhecê-lo de longe e antes de se aproximar, já era possível sentir os primeiros sinais que lhe gritavam ‘é ele!’. E não tardou para que ela logo questionasse se teria sido também descoberta – ou apenas, reconhecida.
Eu não estava lá, mas senti de longe os cheiros leves e pude ver as cores bonitas do céu. Plagiando a morte, em “A menina que roubava livros”, era eu agora, a vida, presenciando o nascimento daquilo de mais simples e nobre que pode existir. Aquilo que a morte é incapaz de calar e que acompanha as almas por toda sua eterna existência.
E sem nada ver, senti-o nascendo entre eles. Seus olhares haviam sido fecundados e não era possível dizer em qual deles estaria o ventre que levaria o fruto desse encontro. Mas agora, quando os olhos enxergam 1800 km de estrada pela frente, posso dizer que dentro de cada um deles, está aquele momento.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Feliz 2009,
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Meu jardim,
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim
sábado, 6 de dezembro de 2008
Não vai passar,
Ela tinha medo de que as palavras perdessem a alegria da primeira leitura. Talvez, por isso, tentava se controlar para não decorar cada uma delas. Para não conseguir ouvir, saindo da boca dele, tudo aquilo. Para não ler além daquelas linhas nem se perder no mar de incertezas que surgia diante de si. Mas tudo isso era tão difícil, que aos poucos, a tranqüilidade de ver seus sentimentos expostos naquela janelinha online do MSN cedia lugar a um milhão de dúvidas que pareciam lhe corroer as idéias e o tempo. Ele entendeu o que eu quis dizer? Entendeu que eu disse que passaria (se Deus quisesse) apenas como uma tentativa, quase desesperada, de fazê-lo compreender que somos amigos antes de tudo?
Devaneios. Ela não esperava por aquela inquietação. Podia jurar de pés juntos que os olhares nunca haviam sido intencionais – muito menos para ele. Fazia questão também de deixar claro o quanto se sentia despreocupada com o desenrolar da recente história, que para ela, sinceramente, não chegaria a lugar nenhum. Não por ela. Ah, mas aquela inquietação.
Meu Deus, como agora tentava não pensar, esquecer, apagar da memória! Mas já não era possível. Bastavam alguns segundos de distração para a cena lhe vir à mente e parecer lhe atingir a alma. Seu rosto bem próximo ao dele. As mãos entrelaçadas e apaixonadas – elas já se gostavam antes deles descobrirem-se juntos. Sua boca agora chegava àquele mesmo rosto que, a pouco tempo, enxergara tão próximo de si. Ela, então, lhe dava um beijo na bochecha, enquanto ele fechava os olhos. Devaneios.
Diante da tela do computador, lia mais uma vez aquelas palavras, na mesma janelhinha do MSN - agora offline. “Quando ele tiver on perguntarei se entendeu tudo e direi logo, ‘não vai passar’”.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
terça-feira, 25 de novembro de 2008
A dor que deveras sente,
Ele era o homem da sua vida. Ela sabia disso. Era ele o futuro pai de seus filhos, seu marido, seu companheiro, seu amigo e maior amor. Eles não nasceram um para o outro. Ela sempre cheia de esquisitices, ele sempre cheio de piadinhas. Mas viveriam um para o outro. Completar-se-iam e admirariam suas diferenças. E ela tinha tanta certeza disso. E assim devia ser.
Em seu quarto, ouvia-se apenas o tic tac do relógio. Apesar dela não se dar conta, sua dor não fora capaz de parar o tempo. A cada fechar de olhos, renovava as quase então perdidas esperanças. Ela iria vê-lo entrar por aquela porta, segurar suas mãos e lhe dizer o quanto a amava e seriam felizes.
Bobagens. Ilusões que se desvaneciam e cediam lugar ao impulso de encarar a dura realidade. Era preciso abrir os olhos.
Foram anos amando em silêncio. Quantos projetos para o futuro. Planos para um tempo em que se sentiria segura para falar sobre os seus sentimentos – os melhores e maiores. Todos eles para o responsável por tantas noites insones e tantas manhãs primaveris.
Ele se fora. Se fora sem prenúncios. Sem lhe avisar que a vida era curta e que cada oportunidade deveria ser reconhecida como única. Reconhecia-se agora ela diante da dor. Era morte. Era a morte dele que estava matando-a. Acidente de carro. Acidente de percurso. Acidentes da vida.
Ele já não mais saberia daquele amor. Ela já não mais poderia lhe dizer o quanto sentia.
Fechou os olhos, mais uma vez, sentindo ter ele bem próximo de si – mesmo sabendo que nunca mais poderia vê-lo e percebendo o vazio transformando-se em saudade.
Abriu novamente. Enxugou todas as lágrimas que lhe molhavam o rosto, e que nesse momento eram muitas, desligou o relógio e se levantou para buscar caneta e papel. Era preciso escrever.

